Morri mas tô vivo!

Ele pode ter roubado minha alma, mas estou vivo e triunfante. Ainda que no inferno.

Primeiramente hei de me desculpar pelo longo período sem posts no Wonderful ‘cause I am. Acho que completei umas cinco ou mais semanas sem escrever nada. Como tinha prometido num post anterior, estou preferindo omitir os momentos não muito felizes da minha vida pra tentar criar algum destaque para os bons. (ironia) Pois bem, isso é pra vocês verem como as coisas estão ótimas nesse tempo que passei sem dar as caras. (/ironia)

Me desculpem, mas eu tenho de assumir que as minhas últimas experiências não têm sido lá grandes merdas (na verdade têm sido sim uma bosta). Estive, estou e acho que ainda estarei por um bom tempo muito afim de um amigo meu (que até foi motivo de um post – o último que eu tinha feito – que deletei porque fiquei com vergonha alheia de mim mesmo) e tenho sofrido pacas com isso.

Estava eu todo feliz, dançando e cantando com as amyzädhys num bar para comemorar o aniversário de uma amiga nossa quando meu objeto de amor platônico vira e se atraca aos beijos cinematográficos com a dita cuja exatamente de frente pra mim na mesa (parecendo até que fez de propósito, como é bem comum dele – capricornianos, já disse que os odeio?). Pois saibam que lá, no momento, eu reagi muito bem e fiquei até “feliz” por ele ter ficado com ela (e não com outra) porque essa amiga com quem ele ficou é uma pessoa maravilhosa e simpatissísima. Ah, mas simpatia não é amor. No dia seguinte eu quis matar ela, quis matar ele, quis matar meu outro amigo que nada tinha a ver com a história, quis matar a mim mesmo, enfim, quase que realizo um genocídio, porque como diz o ditado (e esse sim é muito válido): cabeça vazia é oficina do diabo.

Não sabia que eu era tão imaginativo até chegar neste estágio. Ainda no mesmo dia dos surtos era de tarde, fazia um calor infernal de Febrero e eu estava deitado na cama, remoendo os fatos daquela triste noite (só pra mim, óbvio) e a cena do beijo ficava repetindo na minha cabeça tal qual um assassino cravando a faca no coração da vítima, incessantemente. A partir daí as coisas só ficaram piores, fui imaginando coisas e mais coisas, me senti a pessoa mais excluída, fracassada, sozinha e feia do mundo e parecia que a única solução pra tudo era se matar. Já soube associar isso ao despertar da famosa depressão.

É um descontrole total. Você não pode simplesmente dizer: “não, vou parar de ficar me martirizando, vou levantar dessa cama e viver minha vida pois algo melhor me espera lá na frente”. Pelo contrário, a patologia te leva a pensar justamente o inverso, que não há nada lá na frente, que sua vida não tem sentido e você é um desperdício de espaço e matéria. E eu parto dos meus amores platônicos aos fracassos na universidade, nos meus conflitos com as pessoas, nas minhas crises financeiras – e a coisa se alastra como um câncer dentro da cabeça.

Chego até a sentir a presença de uma entidade maligna, uma sombra – tipo o Dementador do Harry Potter – sugando minhas energias. Juro pra vocês que não estou ficando louco (apesar de tomar remédio pra cabeça) mas eu senti uma coisa me puxando de volta quando eu tentei sair da cama.

Graças a Deus (ou sei lá quem eu posso agradecer, eu mesmo ou o Universo) eu já estou numa etapa mais controlada, fazendo tratamento, e naquela tarde eu consegui levantar da cama, me arrumar, ir e voltar do shopping a pé (que fica um pouco longinho daqui de casa) , pagar minhas contar, viver e ver a vida e o principal: sair da espiral depressiva.

A escolha principal de decidir viver eu fiz ainda na época da tentativa de suicídio que desencadeou isso tudo, há mais ou menos sete meses atrás: decidi iniciar o tratamento. Depois disso, a depressão nunca voltou tão forte como ela vinha naquela época. E espero que não retorne mais. Porque eu sei que o meu cérebro adora me sabotar, me fazer ficar pensando que eu sou uma pessoa sem futuro e um desperdício de vida e recursos, mas isso é uma mentira tão deslavada que chega a ser uma ofensa à minha inteligência sucumbir a tais pensamentos.

E então eu chego à parte boa (e rápida, só pra concluir) desse post. Quero dizer que viajei – poucas vezes, mas viajei – para o sítio com meus amigos, ri, brinquei, nadei, apreciei os corpos dos jovens dourados à luz do sol (esses eram dos amigos -.-“), joguei videogame até o dedo esfolar, comi muito churrasco, dormi demais e reverti meu ciclo de sono umas 500 vezes. Só não peguei ninguém. Mas ainda hei de pegar.

That’s all, folks.

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7 Respostas

  1. Nossa!!! Me identifiquei muito com vc lendo esse texto… OMG!!!!

    28 de março de 2011 às 19:53

  2. Caraca! Muito foda passar pelo que tu passou… É muito foda quando perdemos o controle de nossos sentimentos, quando nos enfraquecemos, mas isso faz parte…
    Bom que tu já está se recuperando, e nada melhor do que uma viagem, fazer algo diferente e sitio é muito gostoso, contato com a natureza nos faz muito bem…
    Forte abraço!

    22 de fevereiro de 2011 às 12:41

  3. SG

    Aiai… esse negócio de beijos alheios em nossa frente…

    Estava mesmo sentindo falta dos teus posts. Que bom que tudo está melhorando.

    Em mim, as coisas ocorrem um tanto diferentes. Quando estou triste ou angustiado, aí é que me descontrolo a escrever. Várias vezes tive de deletar posts antes que fossem publicados… revisões então, foram incontáveis…

    Escrever pra mim é como tirar, pouco a pouco, esse tal câncer ao qual você se referiu. E olha que, ultimamente, me estava beirando a metástase…

    Dor de cotovelo dói pra cace*(#@#. Dizem que com um beijo, sara.

    Beijão!

    16 de fevereiro de 2011 às 23:01

  4. Então, não sei bem o que escrever pois pra mim essa coisa de depressão é tão distante. Mesmo quando fico meio down, é tão rapido e passageiro.
    Entretanto, desejo força, já que cheguei aqui no seu blog nesse momento em que as coisas parecem se acertar.
    Um abraço

    16 de fevereiro de 2011 às 12:51

  5. Quem se pega na frente dos amigos solteiros merece a morte. Lenta, dolorosa, a ferro, fogo, e muito sangue.

    E tenho dito.

    16 de fevereiro de 2011 às 6:24

  6. Júlio César Vanelis

    Cara… Q Barra pesada… Eu posso imaginar (não, não posso não) o que você passou. Tipo, na verdade, eu nunca tive depressão… Mas eu sei bem o que é sentir ciumes (felizmente eu nunca tve episódios depressivos efetivamente por causa disso). E cara, sinto dizer, mas você não vai desencanar nem tão cedo… Mas olha cara, da próxima, evitar se paixonar por hetero (como se fosse possível escolher, neah?). Tipo, maior furada… Inda mais uqando o bofe é seu amigo…
    Mas enfim, guy… Que bom que vc se divertiu! E espero que vc não tenha outros episódios de depressão. Não deixe de tomar os remédios (é sério), eles fazem a maior diferença nessa hora, cara… Enfim, chega de façar pq eu não quero escrever um post…

    Q bom que voltou… Um beijão, e até o próximo

    16 de fevereiro de 2011 às 0:26

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