Ser (Foi/É/Será) um erro?

Assumo o meu erro. Digo sem sentir nem um pouco de pudor que fui sim muito vagabundo, que não fui contundente com o que exigiram de mim. Isso a dois semestres atrás, em Janeiro de 2010, quando ingressei no curso de Engenharia Metalúrgica. E agora, que era pra eu estar no 3º período (junto com 80% dos meus amados coleguinhas que diferente de mim, passaram em todas as matérias), estou cursando matérias do 1º e do 2º. Cálculo I, Geometria Analítica (o famoso GAAL), Química Geral, Fundamentos de Mecânica e Física Experimental (as três primeiras eram pra eu ter concluído dois semestre atrás).

E pensar que eu entrei nesse curso por causa da Química. Não creio que tivessem duas ou mais pessoas naquele colégio onde eu estudei que gostassem tanto dessa disciplina quanto eu. E eu escolhi meu curso a dedo, investi dias pesquisando e ponderando. Achei que seria feliz ao escolher um currículo carregado de Química, e escolhi a área da metalurgia. Mas foi assistir à primeira aula de Química Geral ser introduzido na naba numa cilada que eu não poderia prever. Química de faculdade não é química de ensino médio (matemática e física eu nem preciso dizer né?). Foi muito tenso pra mim, um apaixonado pelos elementos da tabela periódica, por físico-química, por cálculos estequiométricos e caminhões de ácido clorídrico tombados na estrada, ter que assistir inerte nas primeiras aulas de Química o professor passando Equações de Onda e Ótica (oi, Física?) E COBRAR ISSO NA PROVA.

E não é que eu não goste tanto assim de Física, o problema não foi esse. A dor de cabeça é que minha nota na primeira avaliação foi horrível. Afinal, o FDP do professor cobrou umas contas com números super quebrados – tipo 1,52376… – e não especificou que precisava levar calculadora pra fazer a prova. E quem estuda Exatas sabe que basta ir mal no primeiro exame que fica muito difícil (quase impossível) contar com os outros para recuperar a nota (desconfio que isso se aplica à maioria dos cursos). Pra mim que sempre fui aluno A em Química, foi um arraso total. Foi o princípio de uma depressão… E vi então que não rolava mais química com a Química. E somando isso ao resto das matérias que são super difíceis e que eu acabei indo mal também, não fica difícil perceber que eu acabei me desencantando muito com o curso que tinha tão apaixonadamente escolhido.

Assumo que nunca fui um CDF (por mais que meus colegas insistissem nisso), nunca tive o hábito de estudar e agora na Universidade já passou da hora de corrigir isso em mim. Mas vendo aqueles que – eram pra ser meus colegas – fazendo já as matérias do 3º período, comentando “como é impossível essa matéria de EDA” me deixa um pouco desanimado. Porque nenhum deles é, de fato, um grande CDF (Ok. Alguns são sim, mas são poucos). E se todos eles conseguiram, porque eu não?

Afinal, o que foi a causa de todo esse fracasso? Hipóteses:

1) Falta de aptidão para a área. – Acho isso muito difícil, se não for Exatas, não vai ser Biológicas, muito menos humanas ou da área de Belas Artes. Odeio tudo que envolva corpo humano e história.

2) Falta de comprometimento. -Essa aqui talvez seja a causa principal, mas eu questiono: minha falta de interesse em estudar não seria consequência da primeira hipótese? Ou será que é assim mesmo porque o curso é muito difícil e as matérias são chatas?

3) Falta de Sorte. – Essa aqui também é muito provável, pegar um monte de professor f*dido já no 1º período foi muita falta de sorte.

4) Problemas de ordem psicológica – Outra possibilidade, já que depois que eu fui no psiquiatra e no psicólogo eu vivo desconfiando da minha sanidade mental.

Obs.: Outro fator importante: eu não entrosei com o pessoal das “exatas”.

E as pessoas aqui em casa sabem muito criticar, cobrar, mas dar uma luz que é bom, nada. Quando não ajudam, atrapalham. E de cobranças, já basta a dos professores e a minha própria. Nesse semestre estou me esforçando mais nas matérias (muito mais se comparado ao nada que eu fiz nos semestres passados). Mas ai entro no grande dilema: será que estou fazendo a coisa certa? Será que vale a pena investir tempo, lágrimas, suor, neurônios (vida) nesse projeto?

O que será que dói mais: um cálculo renal ou um integral e diferencial?

Não vou ser hipócrita de dizer que escolhi a profissão porque ela vai me dar prazer ou vai aumentar a minha auto-estima. Acho isso uma grande hipocrisia. Trabalho, desde que eu me entendo por gente, é sinônimo de ganha pão, e não tem que ser divertido. É por isso que existe o entretenimento, os filmes, as viagens, os amigos. A pessoa pode se interessar muito pela área em que ela atua (meu caso), mas isso não vai transformar o dia-a-dia dela na profissão a coisa mais gostosa do mundo.

Outro dia, conversei com um amigo meu sobre esse assunto. Ele está fazendo cursinho, tentando passar pra medicina. E eu vi como a gente tende a endeusar vestibular como se fosse a coisa mais difícil do mundo – ANTES de entrar na faculdade. ÔSH, se eu soubesse como isso aqui é um trilhão de vezes mais difícil, me reduziria a minha insignificância e jamais pronunciaria a frase: vestibular é difícil. Traçar uma meta a curto prazo e CONHECER aonde ela vai te levar (ou seja, estudar pra uma prova de vestibular para ser aprovado, ponto final), é MUITO fácil. Me desculpem os calouros de medicina, mas é a verdade (e vocês vão ver depois de 2~3 semestres de curso que eu estou certo).

Estou aqui: no 3º semestre de 17 até a jubilação, e basicamente no 1º período de 10 que vem pela frente, sem saber pra onde estou indo, sem saber como vai ser depois que eu conseguir o diploma, só estudando, só estudando. Pra então tirar mais uma nota excepcional.

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9 Respostas

  1. A vida é cheia de escolhas, cujo nos cobramos constantemente se estamos fazendo a coisa certa, porém vai na fé na luta pelos seus objetivos, rompendo todas a barreiras e obstaculos, pois quando fazemos aquilo que gotamos, o resultado é sempre positivo…
    Forte abraço!

    9 de abril de 2011 às 22:31

  2. Ah, e tb concordo com o Lobo!!

    Abração!!

    6 de abril de 2011 às 17:37

  3. Na boa? Às vezes é meio foda o curso e tal, mas isso não significa que seja o curso errado. Escolher o curso porque gosta das matérias da grade é que é um erro, ao meu ver. É melhor pensar em como vai ser DEPOIS DO CURSO, já que o principal objetivo de um curso universitário é formar um profissional. Será que vc vai se dar bem na área de atuação? Será que eu suportaria o lado negativo da minha futura profissão?

    Vc diz que não é preciso gostar do trabalho. Discordo em parte. Trabalho realmente não é lazer, mas é preciso ter, ao menos, uma identificação com o que se faz. O trabalho também não precisa ser um sacrifío (o extremo oposto do lazer). Ele pode ser algo que te faça sentir útil, algo que te faça exercitar capacidades que compõe seu perfil profissional/pessoal, algo que faça sua auto-estima aumentar (por exemplo, percebendo que vc é bom no que faz), além de, é claro, ser o ganha pão…

    Agora, sobre ir mal no curso, todas as hipóteses são boas e só vc vai conseguir descobrir a real causa do próprio “fracasso”. Mas, pelo que vc escreve aqui, arrisco a dizer que problemas psicológicos como depressão podem influenciar e muito na aprendizagem. E sei por experiência própria…

    Vá se investigando e reflita sobre suas escolhas. Quem sabe vc não encontra a resposta???

    Abração!!!

    6 de abril de 2011 às 17:36

  4. Sou economista e me apaixonei pelo Stewart lá no banner! haha

    Obrigado pelo coment.

    Beijo!

    P.S.: Quantas provas sem minha HP eu quis cometer suicidio na sala? haha

    5 de abril de 2011 às 11:35

  5. in.Constante

    Concordo com o Lobo: se é muito novo quando se escolhe a futura profissão. Equívocos, desencontros e desilusões são muito, muito frequentes.

    E acho que, se já vê que não é a sua, é partir pra outra.

    A vantagem de ser muito novo pra escolher é que isso significa tbm que é mto possível mudar de curso sem que isto tenha impactos super-hiper-mega-ultra negativos na sua vida.

    Mas, como vc exclui tbm as outras áreas, eu não sei se é o momento de mudar. Talvez seja o momento de tentar, de verdade, uma adaptação. Não às pessoas, mas a este novo e mais amplo mundo de química que se apresentou a você.

    Investir mais um ano, com afinco, no curso não lhe fará tanto mal, já que você não sabe exatamente para onde ir. Então, SUPONHO, dedique-se à conquista q vc obteve (passar no vestibular) e abra-se para estes novos conhecimentos.

    Vai q vc se apaixona?

    Se sim, ótimo. Vc continua no curso.

    Se não, bom tbm. Você poderá pensar no que fará daqui pra frente. Com todas as possibilidades que as suas poucas primaveras te permitem ;)

    Xêro!

    4 de abril de 2011 às 21:20

  6. Não é vergonha nenhuma ficar um pouco pra trás. Mudar de ideia, mudar de curso. Acontece. As vezes a gente não acerta de primeira… somos muito novos para tomar uma decisão desse porte. Conheço vários exemplos, e que hoje me dizem que se não tivessem largado tudo a contragosto de todos, seriam eternamente frustrados. Alguns chegaram inclusive a fazer um novo vestibular. Não seria isso algo a ponderar?

    Beijo Doido.

    4 de abril de 2011 às 17:33

  7. SG

    É um ciclo vicioso. Nós tiramos uma nota ruim. Ficamos desanimados. Não estudamos. Tiramos outra nota ruim. Ficamos desanimados…

    …e depois, vêm as flexões e reflexões intermináveis… será que estou no curso certo? Será que sou capaz? Será…?

    Não dá para separar a vida acadêmica com a vida particular. Uma influi na outra. O jeito é pensar sobre tudo. Onde estão os conflitos. E onde estão as soluções.

    Normal, não saber o que fazer no futuro. Meu pai é engenheiro químico. Sempre me disse o quão difícil eram as matérias. Me disse várias vezes que teve vontade de largar tudo. Desistir. Porque ele só estudava, mas nada além das boas notas apareciam.

    Eu também passei por uma crise acadêmica, enquanto fazia Direito. Também não tinha um objetivo claro sobre o que fazer (e querer fazer) depois de formado. Mas, enfim. Decidi terminar aquilo que comecei. E estou correndo atrás das oportunidades que estão aparecendo.

    Escolher uma profissão por causa da prospecção de boa remuneração e bom mercado de trabalho pode ser perigoso. É preciso muito cuidado com isso. Porque essa perspectiva pode não ser mais motivo suficiente para manter a motivação e o empenho em se cursar, da melhor forma, a faculdade. Enfim. Cada um sabe de si.

    Uma coisa eu tenho certeza. Matérias que não sabemos são as mais chatas. Por mais fáceis ou difíceis que possam ser.

    Força. Estude bastante. Esqueça das reflexões. Esqueça do período pós-formautura. Encare a colação como mais um vestibular. Encare cada fase como uma etapa isolada. Foi assim que consegui me formar. E não me arrependo.

    Sempre haverá boas oportunidades, para bons acadêmicos. O mercado não está saturado. Está cheio de graduados medíocres. Há inúmeras possibilidades. Mestrado. Doutorado. Pós-Doutorado. Estágios no exterior. Trainees. E, para tudo isso, um bom histórico acadêmico e uma boa formação são essenciais.

    Um forte abraço!

    4 de abril de 2011 às 13:21

  8. No seu caso Júlio, você sabe o que te espera e isso te anima de estudar e tals (por mais que ainda venham matérias impossíveis pela sua frente, já ouvi falar horrores da Farmacologia). Você tem uma certeza, que é mais ou menos ao que eu comparei do vestibular (por mais que a vida de qualquer universitário seja muito diferente da de um vestibulando).
    O meu problema é não ter essa certeza. Por ter pouco conhecimento sobre como é – de fato – a rotina dos engenheiros (acredite, isso não é momento nenhum elucidado pra gente) e também por não saber o quão difícil as coisas vão ficar daqui pra frente, eu estou despido das certezas. Não desistiria do curso porque ele não é aquilo que eu desejo (quem não quer ter a vida de um engenheiro hoje em dia, em que a profissão é super bem requisitada e remunerada?). Só não sei como vai ser esse meu futuro.

    3 de abril de 2011 às 23:52

  9. Júlio César Vanelis

    Cara, sinceramente? Talvez você não tenha se encaixado no curso.
    Quando eu escolhi meu curso, eu pensava mais ou menos como você (algo na área de exatas relacionado a química). Mas como nenhum curso da área de extaas me agradou suficientemente (eu nunca gostei de física, hahah), eu resolvi ir para a área Biomédica (Farmácia, na verdade). Tá, foi arriscado, entrar nun curso que eu nem sabia direito sobre o campo de atuação. Mas deu certo… A cada semestre que passa, eu gosto mais ainda desse curso… Eu tbm já tive reprovações (e foram nas quimicas tbm), mas só de pensar no que eu vou fazer quando me formar, eu esqueço da depreção das reprovações e volto a me animar a estudar… Talvez esse curso não seja exatamente aquilo que vc quer… Se continuar assim, é melhor sair dessa o quanto antes cara… Você ainda é novo, dá tempo de recuperar o tempo perdido!

    Um abraço, Rapaz… até o próximo

    3 de abril de 2011 às 19:04

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