Delta H

A vida é uma aposta, já ouvi dizerem. E decidi que não quero mais apostar na Engenharia Metalúrgica. Não é de hoje que os (eventuais) leitores do antigo blog e desse acompanham minha odisseia. Estou Estive pelo terceiro semestre insistindo nas mesmas matérias, fazendo os mesmos exercícios e cheguei à conclusão de que o problema não está nos professores ou nas matérias, não está na instituição e também posso dizer que não há “um problema”, no sentido de distúrbio de aprendizado, em mim.

Esse problema está imerso nas águas profundas do oceano chamado passado. Talvez por me achar muito bem preparado, bem informado e realmente fissurado com o vestibular naquela época (só pra vocês terem idéia, ganhei o apelido de Titi COPEVE na sala, porque todo dia eu chegava com alguma informação ou alguma dica a respeito do vestibular. Para quem não sabe, COPEVE é a Comissão Permanente do Vestibular da UFMG). Confiei no meu condicionamento mental para fazer a prova, confiei na consequente nota “brilhante” que obtive e na “gloriosa conquista” (ironia do destino) da vaga no Instituto de Ciências Exatas.

Ignorante a respeito de um monte de coisas, eu era e ainda sou. Hoje, ao me lembrar dos meus não-mais colegas de profissão, das primeiras aulas, ainda fica obscuro como que todo o processo da depressão se desencadeou num tempo tão diminuto. Interpreto tudo isso como um enorme tempo perdido. Tempo que me desconectei dos meus amigos (e permiti que eles se desconectassem de mim), que não aprimorei – de forma plena – os conhecimentos que eu devia ter dado prosseguimento pós ensino médio. Uma época da minha vida que eu joguei no lixo sem mesmo tirar o produto da embalagem.

Outro dia, conversei com uma amiga minha, R. (irei adotar o uso blogueiramente difundido da abreviação para o nome dos amigos), que já passou por momentos parecidos na vida, de total entrega ao caos, quando tomou duas bombas no colégio que ela estudava antes de se mudar para o nosso. Ela me disse, no seu tom sempre austero, que nenhum momento de sua vida foi desperdiçado e que com tudo isso pelo que ela passou pôde aprender muita coisa. E isso se aplicava também no meu caso. Lógico, também aprendi um monte de coisas (dentre elas derivar e integrar, LOL). Entretanto, vejo no reflexo do seu sucesso, da sua satisfação com o curso (dela e de outros amigos que eram do colégio e que agora estão no ensino superior) que poderia ter aprendido muito mais coisas.

Um desejo muito forte de dar uma dinamizada na minha vida floresceu eu mim. Me urge a necessidade de sair do estado de inércia, de imprimir energia no meu corpo e na minha mente. Preciso de uma variação na entalpia antes que tudo se resuma à entropia.

Desejo mudar de curso. Para qual, não faço a menor ideia, mas no meu poço de incertezas, uma das não-incertezas é a necessidade de desistir desse e tentar outra coisa.

O modo como as coisas tem se dado aqui em casa nas últimas semanas tem me deixado muito pra baixo porque quase já não estou indo mais às aulas e fica a impressão de que eu estou simplesmente vagabundeando – de fato estou, mas não é por motivos de arruaça. Ainda não contei para ninguém aqui a minha decisão. Me falta talvez a coragem de encarar alguns fatos, de entrar em discussões, de permitir que a opinião alheia mais uma vez destrua minha auto-estima.

Já conversei com alguns amigos sobre o assunto. Uns quiseram me apedrejar – vestibulandos de medicina – pois não suportam mais as aulas de cursinho. Alguns acham que estou sendo precipitado (e aí eu olho para o calendário, observo o tanto de dias que se passaram desde Julho de 2010, e vejo que estou é atrasado), mas dinheiro, status, nada isso paga a minha satisfação pessoal. Enxergo isso com clareza hoje. O tempo não para, se eu não tomar atitude agora, o arrependimento de ter feito uma coisa arriscada será infinitamente menor do que o arrependimento de não ter feito.

De fato, é uma manobra delicada essa que pretendo executar. Não é questão de vida ou morte, mas trancar a faculdade, entrar de novo no cursinho é ser arremessado no campo das possibilidades mais uma vez . Com a minha reduzida capacidade de auto-análise, ainda estou muito em dúvida. No momento, estou tendendo a guiar meu futuro mais uma vez pela afinidade com as matérias. Pensei seriamente em Farmácia, porque sempre gostei muito de Biologia – além da Química – e por achar que Bioquímica deve ser mais interessante do que os Cálculos da engenharia. Mas me questiono sobre a profissão, sobre o  seu dia-a-dia e suas facetas não tão óbvias, da mesma forma que não fiz e devia ter feito em relação à Engenharia.

Faltam menos de cinco meses para a prova do NENEM. Tenho pouquíssimo tempo para me preparar, mas minha experiência com vestibular me diz que não será assim tão complicado. E uma verdade se aplica sobre a teoria da minha amiga R., minha perspectiva sobre a prova está a mil anos luz agora que já estive lá dentro.

E vocês? Tem alguma coisa a declarar?

No próximo capítulo, quem sabe vocês verão o episódio da minha “confissão” aqui em casa. Por enquanto…

That’s all!

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12 Respostas

  1. Olha, o curso é apenas um pontapé inicial pra sua vida profissional. A formação como engenheiro pode abrir muitas outras portas. E lembre-se de que a vida profissional será uma, só uma, coisa importante, mas que a vida é e será sempre bem mais do que isso.

    Nenhum curso será desculpa pra sua infelicidade. Na tua idade, parece que isso tudo tem uma importãncia que a vida vai lhe mostrar que não tem tanta assim. Você poderá ser feliz de qualquer jeito. A decisão é sua.

    Claro que se for com uma profissão de que você goste muito, ficará bem mais fácil.
    Se já sabe que profissão é essa, vá em frente. Coragem pra mudança acho que você já tem de sobra.

    E, além de tudo, você é um cara que se expressa muitíssimo bem, certamente melhor do que a maioria das pessoas da sua idade (e bem mais velhas também) que você conhece. E isso, só, já fará uma enorme diferença na sua futura vida profissional. Seja qual for a profissão escolhida.

    Suerte!

    24 de julho de 2011 às 23:08

  2. Na vida temos tantas dúvidas, indecisões, porém nunca é tarde para mudar…
    Não se culpe por tantas duvidas, todos ja passaram por isso ou irão passar…
    Forte abraço e sucessos…

    11 de julho de 2011 às 22:46

  3. Tenho uma inveja de quem banca essas mudanças no meio de curso da faculdade. Eu não banquei apesar de ter certeza que queria ter largado, mas o resultado hj é positivo: eu ganho dinheiro! Rá!
    Enfim, boa sorte no que decidir.
    Abração

    1 de julho de 2011 às 16:37

  4. in.Constante

    Ah, eu concordo mto com o “Cara Comum”. O curso passa, o futuro profissional fica. Mas é dificílimo saber se a crise atual é com um, com outro ou com ambos.

    Mas se vc está mal assim há tanto tempo (lembro d’alguns posts), sai disso e vai procurar algo que te faça mais feliz.

    Não é tempo perdido. É tempo que poderia ter sido melhor aproveitado. Mas quem disse que sempre fazemos o melhor aproveitamento de tudo na vida? Não tem nem sei se é possível ser assim.

    Somos mto novos qdo entramos na faculdade. Temos o direito de mudar. E se já está tão claro pra vc, não continue!

    Veja: vc tem muito mais futuro que passado. E é o agora e para o futuro que se vive. Busque fazer algo que te faça bem tanto hoje quanto nos milhares de hojes que seu futuro te reserva ;)

    Xêro!

    31 de maio de 2011 às 21:32

  5. PS: achei muito engraçado meu blog virar a porta para o armário de Nárnia alheio… rs. Te respondi lá. Abraços!!

    30 de maio de 2011 às 20:17

  6. Ow, se vc acha q está na hora de trocar de curso, vá em frente. Mas lembre-se do que eu já te disse: o curso passa e o futuro profissional fica! Veja se vc quer realmente ser o profissional que o curso que vc está pensando em fazer forma e se for isso mesmo, vá em frente!! Arrisque-se!! Melhor que dinheiro é ser feliz!! Dinheiro nenhum do mundo paga sua realização pessoal.

    Abraços!!

    29 de maio de 2011 às 15:36

  7. Tempo perdido? Talvez. Talvez um tempo que nunca volte. Mas ai você tem a opção de continuar jogando tempo fora, ou dar um basta nisso. Um dos meus colegas de república largou a engenharia mecânica no 4° Período e foi fazer SI. Todo mundo maldisse o coitado, mas pelo menos agora ele é maldito e feliz.

    Arrisque.

    26 de maio de 2011 às 16:12

  8. SG

    Bom. Vou te dar um conselho segundo minha experiência (bem curta, por sinal…).

    Mude de curso. Faça o que lhe fizer feliz. A vida é muito complicada, para suportar mais dilemas.

    Eu mesmo, como você bem sabe, passei por uma crise acadêmica e existencial. Optei por continuar no curso, mas meio que a contragosto.

    Hoje, estou trabalhando numa área gritantemente diferente daquela que tradicionalmente se encaixaria na minha bagagem acadêmica: pós-vendas de caminhões e ônibus de uma fabricante multinacional. Penso até em fazer um MBA em gestão de projetos ou em prestação de serviços.

    As coisas acontecem quando a gente menos espera, e sempre se encaixam.

    Encare a vida e as possibilidades sem medo. Você tem razão. Pior seria a frustração de nunca ter tentado.

    Vá em frente!

    25 de maio de 2011 às 20:16

  9. Gui

    Complicado falar porque eu respiro química. Até hoje me pergunto se amaria Engenharia mais do que Química (definitivamente seria meu segundo curso), mas Farmácia é um curso que é difícil se arrepender de fazer pelo fato da enorme área de atuação.

    Porém, é bom ter claro que nem sempre as correspondentes matérias são agradáveis (ninguém gosta igual de uma matéria por inteiro, né?).

    Reflita bem. Teve um comentário seu no meu blog há um tempo em que você afirmava que sua paixão estava nas exatas, não exatamente na Engenharia. Às vezes é preciso tomar contato com o que o levou a fazer EM. Pense nisso.

    Beijão!

    25 de maio de 2011 às 14:06

    • Eu tenho um amigo que está fazendo Biomedicina que lixou tanto o curso de vocês que eu fiquei até com medo. Mas isso tem um nome: rixa de Farmácia x Biomedicina. Minha amiga farmacêutica também odeia o povo de Biomedicina. Aí no Rio também é assim?

      28 de maio de 2011 às 1:59

  10. Júlio César Vanelis

    Olha cara. Você está pedindo conselho à pessoa certa (ou errada, não sei, depende de você… hahaha)
    Mas se te ajuda, Farmácia é o curso disponível no Brasil que possui a segunda maior área de atuação no mercado de trabalho. Pelo menos trabalho não te faltaria. E depois cara, se você gosta mesmo de quimica, com certeza você vai se apaixonar por farmácia, porque o curso é isso basicamente: química organica, biologia celular e microbiologia. Eu sei que sou suspeito, mas a cada dia que passa eu gosto ainda mais do curso. Mas enfim, quem tem que decidir isso é você!
    Procure se informar mais sobre o assunto, sobre campo de atuação e essas coisas. Qualquer dúvida, pode contar comigo também! :D

    Espero ter ajudado, de verdade! ;)

    Um beijo, rapaz… até o próximo

    25 de maio de 2011 às 12:10

    • Morro de saudades da Química Orgânica… do ensino médio. Tenho medo dessa Química Orgânica a qual você se refere. Digo isso porque, né, toda matéria que ganha o status de “curriculum” esconde facetas que ninguém conhecia.

      28 de maio de 2011 às 1:56

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