Sobre mim

Nunca foi segredo.

Eu fiquei um bom tempo sem escrever aqui. Praticamente abandonei o blog – apesar de sempre acessar os blogs irmãos – que tenho ali do lado – e os primos. A verdade é que não houve muito o que comentar sobre os últimos meses. Decidi me candidatar a uma vaga do curso Farmácia. Estou confiante que este é o curso que deveria ter feito e espero que dessa vez eu acerte o alvo, pois o meu pente de balas já deve estar no fim.

Entrei no cursinho de novo, e desde então estou vivendo e deixando viver (até fiz amigos lá, vocês acreditam?). Estou muito tranquilo com relação ao vestibular. Descobri que a prova do ENEM não é um bicho de sete cabeças (fui muito bem no simulado que eu fiz), que ainda preservo grande parte do conhecimento que adquiri no E.M. e que a chance de eu conseguir passar é boa, uma vez que a concorrência do curso de Farmácia é quase desprezível.

Mas se está tudo assim tão “movimentado” na minha vida, porque eu voltei a escrever aqui? Pois bem, não houve horóscopo que me avisasse sobre os acontecimentos da última semana. Se houvesse, ele seria desnecessário – eu sempre soube que um dia isto aconteceria, só não sabia quando e como. Vamos começar pela história do professor de história. Parece ironia do destino, mas sabe a tirinha que eu coloquei no último post? Pois é, ocorreu comigo situação semelhante, a diferença é que a conversa não se deu entre duas pessoas, mas sim entre um aluno, um professor e uma sala de aproximadamente 100 pré-vestibulandos.

Percebi que naquele dia o professor de história, sempre bem humorado e piadista, estava com uma expressão soturna no rosto. Achei aquilo estranho. Talvez ele tivesse terminado com a namorada, um parente próximo morrido ou então o time dele perdido no jogo da noite passada. O mal “humor” dele já tinha me contagiado, pois em suas aulas eu tinha certeza do ânimo e das risadas. Eis então que ele começa a escrever no quadro e fica uns cinco minutos assim, sem trocar uma palavra com a turma. Quase todo mundo estava copiando. Dentre as exceções estava eu, que muito provavelmente deveria estar com os braços cruzados, prestando atenção (eu absorvo melhor os conteúdos assim). Talvez a distinção do meu comportamento chamou a atenção do professor.

Ele começa a “aula” me perguntando se eu torcia para o atlético ou para o cruzeiro. Eu, sem um pingo de maldade, respondi que era indiferente aos dois times. Justifico que na minha casa, o único fanático por futebol era meu avô e também que, nos últimos meses, o futebol mineiro não tinha sido motivo de muito orgulho. O questionamento óbvio que qualquer indivíduo brasileiro, na faixa dos 25~30 anos, heterossexual e com Q.I. menor que 100 faria a seguir era sobre a minha sexualidade, claro. E ele me manda: você gosta de homem ou de mulher?

[…]

DEVIA SER PROIBIDO FAZER ESSA PORRA DE PERGUNTA NUMA SALA DE AULA, CARALHO! By the way, SOU GAY e gosto de PÊNIS!

Queria eu que essa fosse a minha resposta. Mas não. Em situações como essa, de descontrole emocional inadvertido, eu sempre tenho que procurar o jeito mais “WTF?” de reagir. E respondo que “não queria entrar no mérito da questão”.

COMO ASSIM, FILHO DA PUTA?

Na hora não registrei a reação das pessoas na sala. Só conseguia perceber o quanto eu estava nervoso, suando como se aquele lugar fosse o deserto do Saara, e tentando passar a expressão de normalidade, apesar dessa não existir. Eu sabia que tinha exposto para todos naquela sala minha condição sexual, ainda que não usando as palavras exatas. Até aquele instante, eu era assumido só para amigos mais próximos e (talvez) alguns parentes. Depois desse dia, ficou escrito na pedra do firmamento: “E ele assume a homossexualidade para o mundo”. Foi um tiro no pé, uma auto-queimação de filme? Não sei. Só sei que contar uma mentira ali seria impossível para mim. Esse é um dos meus defeitos, não consigo falar mentira.

Perto de mim estava meu amigo, R., que estudou na mesma turma que eu no colégio e agora está mudando de curso junto comigo, e meus novos “colegas” – chamá-los de amigos, como fiz no início do texto é exagero – do cursinho. Ninguém falou nada, e por um bom tempo, o silêncio prevaleceu, até que o professor mudasse de assunto e contasse uma piada qualquer para descontrair a turma. Naquele mesmo dia eu ainda tentei conversar com esses meus colegas, mas nos dias seguintes eu vi que o tratamento deles para comigo, ainda que de forma discreta, mudou.

Acredito que eles se sentiram traídos, pois eu não tinha comentado com os mesmos a respeito da minha homossexualidade. Na quinta feira, como R. não tinha ido à aula, não conversei com ninguém tampouco alguém quis conversar comigo. Resultado: minha autoestima caiu uns anos-luz. Chegou a sexta feira e eu, macaco velho de crises depressivas, decidi mandar o mundo tomar no cu e fui para a aula animado. Não estava lá para depender da opinião das pessoas, mas sim para me preparar para o vestibular.

Acabou que no fim das contas, essa minha saída forçada do armário para a sala do cursinho foi uma experimentação do que muitos gays devem passar diariamente com a sociedade. Muitos já devem estar calejados da exposição gratuita, saem por aí com seus parceiros, tomam surra de lâmpada fluorescente na cara e levantam bandeiras do arco-íris no outro dia. Não fiquei tão abalado como achei que ia ficar, mas também não fiquei tão indiferente. Na minha vida, o sentimento de inadequação é um fator constante. Graças a ele, por mais “mente aberta e progressista” que eu aparente ser aqui no blog – e sou mesmo – ainda suo frio quando as pessoas voltam seus olhares para mim.

Teve ainda um outro acontecimento na mesma semana que balançou os planetas do meu mapa astral, mas fico devendo pra vocês essa história no próximo post.

Abraços!

(Senti saudades do blog e dos comentários).

Anúncios

Delta H

A vida é uma aposta, já ouvi dizerem. E decidi que não quero mais apostar na Engenharia Metalúrgica. Não é de hoje que os (eventuais) leitores do antigo blog e desse acompanham minha odisseia. Estou Estive pelo terceiro semestre insistindo nas mesmas matérias, fazendo os mesmos exercícios e cheguei à conclusão de que o problema não está nos professores ou nas matérias, não está na instituição e também posso dizer que não há “um problema”, no sentido de distúrbio de aprendizado, em mim.

Esse problema está imerso nas águas profundas do oceano chamado passado. Talvez por me achar muito bem preparado, bem informado e realmente fissurado com o vestibular naquela época (só pra vocês terem idéia, ganhei o apelido de Titi COPEVE na sala, porque todo dia eu chegava com alguma informação ou alguma dica a respeito do vestibular. Para quem não sabe, COPEVE é a Comissão Permanente do Vestibular da UFMG). Confiei no meu condicionamento mental para fazer a prova, confiei na consequente nota “brilhante” que obtive e na “gloriosa conquista” (ironia do destino) da vaga no Instituto de Ciências Exatas.

Ignorante a respeito de um monte de coisas, eu era e ainda sou. Hoje, ao me lembrar dos meus não-mais colegas de profissão, das primeiras aulas, ainda fica obscuro como que todo o processo da depressão se desencadeou num tempo tão diminuto. Interpreto tudo isso como um enorme tempo perdido. Tempo que me desconectei dos meus amigos (e permiti que eles se desconectassem de mim), que não aprimorei – de forma plena – os conhecimentos que eu devia ter dado prosseguimento pós ensino médio. Uma época da minha vida que eu joguei no lixo sem mesmo tirar o produto da embalagem.

Outro dia, conversei com uma amiga minha, R. (irei adotar o uso blogueiramente difundido da abreviação para o nome dos amigos), que já passou por momentos parecidos na vida, de total entrega ao caos, quando tomou duas bombas no colégio que ela estudava antes de se mudar para o nosso. Ela me disse, no seu tom sempre austero, que nenhum momento de sua vida foi desperdiçado e que com tudo isso pelo que ela passou pôde aprender muita coisa. E isso se aplicava também no meu caso. Lógico, também aprendi um monte de coisas (dentre elas derivar e integrar, LOL). Entretanto, vejo no reflexo do seu sucesso, da sua satisfação com o curso (dela e de outros amigos que eram do colégio e que agora estão no ensino superior) que poderia ter aprendido muito mais coisas.

Um desejo muito forte de dar uma dinamizada na minha vida floresceu eu mim. Me urge a necessidade de sair do estado de inércia, de imprimir energia no meu corpo e na minha mente. Preciso de uma variação na entalpia antes que tudo se resuma à entropia.

Desejo mudar de curso. Para qual, não faço a menor ideia, mas no meu poço de incertezas, uma das não-incertezas é a necessidade de desistir desse e tentar outra coisa.

O modo como as coisas tem se dado aqui em casa nas últimas semanas tem me deixado muito pra baixo porque quase já não estou indo mais às aulas e fica a impressão de que eu estou simplesmente vagabundeando – de fato estou, mas não é por motivos de arruaça. Ainda não contei para ninguém aqui a minha decisão. Me falta talvez a coragem de encarar alguns fatos, de entrar em discussões, de permitir que a opinião alheia mais uma vez destrua minha auto-estima.

Já conversei com alguns amigos sobre o assunto. Uns quiseram me apedrejar – vestibulandos de medicina – pois não suportam mais as aulas de cursinho. Alguns acham que estou sendo precipitado (e aí eu olho para o calendário, observo o tanto de dias que se passaram desde Julho de 2010, e vejo que estou é atrasado), mas dinheiro, status, nada isso paga a minha satisfação pessoal. Enxergo isso com clareza hoje. O tempo não para, se eu não tomar atitude agora, o arrependimento de ter feito uma coisa arriscada será infinitamente menor do que o arrependimento de não ter feito.

De fato, é uma manobra delicada essa que pretendo executar. Não é questão de vida ou morte, mas trancar a faculdade, entrar de novo no cursinho é ser arremessado no campo das possibilidades mais uma vez . Com a minha reduzida capacidade de auto-análise, ainda estou muito em dúvida. No momento, estou tendendo a guiar meu futuro mais uma vez pela afinidade com as matérias. Pensei seriamente em Farmácia, porque sempre gostei muito de Biologia – além da Química – e por achar que Bioquímica deve ser mais interessante do que os Cálculos da engenharia. Mas me questiono sobre a profissão, sobre o  seu dia-a-dia e suas facetas não tão óbvias, da mesma forma que não fiz e devia ter feito em relação à Engenharia.

Faltam menos de cinco meses para a prova do NENEM. Tenho pouquíssimo tempo para me preparar, mas minha experiência com vestibular me diz que não será assim tão complicado. E uma verdade se aplica sobre a teoria da minha amiga R., minha perspectiva sobre a prova está a mil anos luz agora que já estive lá dentro.

E vocês? Tem alguma coisa a declarar?

No próximo capítulo, quem sabe vocês verão o episódio da minha “confissão” aqui em casa. Por enquanto…

That’s all!


Ser (Foi/É/Será) um erro?

Assumo o meu erro. Digo sem sentir nem um pouco de pudor que fui sim muito vagabundo, que não fui contundente com o que exigiram de mim. Isso a dois semestres atrás, em Janeiro de 2010, quando ingressei no curso de Engenharia Metalúrgica. E agora, que era pra eu estar no 3º período (junto com 80% dos meus amados coleguinhas que diferente de mim, passaram em todas as matérias), estou cursando matérias do 1º e do 2º. Cálculo I, Geometria Analítica (o famoso GAAL), Química Geral, Fundamentos de Mecânica e Física Experimental (as três primeiras eram pra eu ter concluído dois semestre atrás).

E pensar que eu entrei nesse curso por causa da Química. Não creio que tivessem duas ou mais pessoas naquele colégio onde eu estudei que gostassem tanto dessa disciplina quanto eu. E eu escolhi meu curso a dedo, investi dias pesquisando e ponderando. Achei que seria feliz ao escolher um currículo carregado de Química, e escolhi a área da metalurgia. Mas foi assistir à primeira aula de Química Geral ser introduzido na naba numa cilada que eu não poderia prever. Química de faculdade não é química de ensino médio (matemática e física eu nem preciso dizer né?). Foi muito tenso pra mim, um apaixonado pelos elementos da tabela periódica, por físico-química, por cálculos estequiométricos e caminhões de ácido clorídrico tombados na estrada, ter que assistir inerte nas primeiras aulas de Química o professor passando Equações de Onda e Ótica (oi, Física?) E COBRAR ISSO NA PROVA.

E não é que eu não goste tanto assim de Física, o problema não foi esse. A dor de cabeça é que minha nota na primeira avaliação foi horrível. Afinal, o FDP do professor cobrou umas contas com números super quebrados – tipo 1,52376… – e não especificou que precisava levar calculadora pra fazer a prova. E quem estuda Exatas sabe que basta ir mal no primeiro exame que fica muito difícil (quase impossível) contar com os outros para recuperar a nota (desconfio que isso se aplica à maioria dos cursos). Pra mim que sempre fui aluno A em Química, foi um arraso total. Foi o princípio de uma depressão… E vi então que não rolava mais química com a Química. E somando isso ao resto das matérias que são super difíceis e que eu acabei indo mal também, não fica difícil perceber que eu acabei me desencantando muito com o curso que tinha tão apaixonadamente escolhido.

Assumo que nunca fui um CDF (por mais que meus colegas insistissem nisso), nunca tive o hábito de estudar e agora na Universidade já passou da hora de corrigir isso em mim. Mas vendo aqueles que – eram pra ser meus colegas – fazendo já as matérias do 3º período, comentando “como é impossível essa matéria de EDA” me deixa um pouco desanimado. Porque nenhum deles é, de fato, um grande CDF (Ok. Alguns são sim, mas são poucos). E se todos eles conseguiram, porque eu não?

Afinal, o que foi a causa de todo esse fracasso? Hipóteses:

1) Falta de aptidão para a área. – Acho isso muito difícil, se não for Exatas, não vai ser Biológicas, muito menos humanas ou da área de Belas Artes. Odeio tudo que envolva corpo humano e história.

2) Falta de comprometimento. -Essa aqui talvez seja a causa principal, mas eu questiono: minha falta de interesse em estudar não seria consequência da primeira hipótese? Ou será que é assim mesmo porque o curso é muito difícil e as matérias são chatas?

3) Falta de Sorte. – Essa aqui também é muito provável, pegar um monte de professor f*dido já no 1º período foi muita falta de sorte.

4) Problemas de ordem psicológica – Outra possibilidade, já que depois que eu fui no psiquiatra e no psicólogo eu vivo desconfiando da minha sanidade mental.

Obs.: Outro fator importante: eu não entrosei com o pessoal das “exatas”.

E as pessoas aqui em casa sabem muito criticar, cobrar, mas dar uma luz que é bom, nada. Quando não ajudam, atrapalham. E de cobranças, já basta a dos professores e a minha própria. Nesse semestre estou me esforçando mais nas matérias (muito mais se comparado ao nada que eu fiz nos semestres passados). Mas ai entro no grande dilema: será que estou fazendo a coisa certa? Será que vale a pena investir tempo, lágrimas, suor, neurônios (vida) nesse projeto?

O que será que dói mais: um cálculo renal ou um integral e diferencial?

Não vou ser hipócrita de dizer que escolhi a profissão porque ela vai me dar prazer ou vai aumentar a minha auto-estima. Acho isso uma grande hipocrisia. Trabalho, desde que eu me entendo por gente, é sinônimo de ganha pão, e não tem que ser divertido. É por isso que existe o entretenimento, os filmes, as viagens, os amigos. A pessoa pode se interessar muito pela área em que ela atua (meu caso), mas isso não vai transformar o dia-a-dia dela na profissão a coisa mais gostosa do mundo.

Outro dia, conversei com um amigo meu sobre esse assunto. Ele está fazendo cursinho, tentando passar pra medicina. E eu vi como a gente tende a endeusar vestibular como se fosse a coisa mais difícil do mundo – ANTES de entrar na faculdade. ÔSH, se eu soubesse como isso aqui é um trilhão de vezes mais difícil, me reduziria a minha insignificância e jamais pronunciaria a frase: vestibular é difícil. Traçar uma meta a curto prazo e CONHECER aonde ela vai te levar (ou seja, estudar pra uma prova de vestibular para ser aprovado, ponto final), é MUITO fácil. Me desculpem os calouros de medicina, mas é a verdade (e vocês vão ver depois de 2~3 semestres de curso que eu estou certo).

Estou aqui: no 3º semestre de 17 até a jubilação, e basicamente no 1º período de 10 que vem pela frente, sem saber pra onde estou indo, sem saber como vai ser depois que eu conseguir o diploma, só estudando, só estudando. Pra então tirar mais uma nota excepcional.


Morri mas tô vivo!

Ele pode ter roubado minha alma, mas estou vivo e triunfante. Ainda que no inferno.

Primeiramente hei de me desculpar pelo longo período sem posts no Wonderful ‘cause I am. Acho que completei umas cinco ou mais semanas sem escrever nada. Como tinha prometido num post anterior, estou preferindo omitir os momentos não muito felizes da minha vida pra tentar criar algum destaque para os bons. (ironia) Pois bem, isso é pra vocês verem como as coisas estão ótimas nesse tempo que passei sem dar as caras. (/ironia)

Me desculpem, mas eu tenho de assumir que as minhas últimas experiências não têm sido lá grandes merdas (na verdade têm sido sim uma bosta). Estive, estou e acho que ainda estarei por um bom tempo muito afim de um amigo meu (que até foi motivo de um post – o último que eu tinha feito – que deletei porque fiquei com vergonha alheia de mim mesmo) e tenho sofrido pacas com isso.

Estava eu todo feliz, dançando e cantando com as amyzädhys num bar para comemorar o aniversário de uma amiga nossa quando meu objeto de amor platônico vira e se atraca aos beijos cinematográficos com a dita cuja exatamente de frente pra mim na mesa (parecendo até que fez de propósito, como é bem comum dele – capricornianos, já disse que os odeio?). Pois saibam que lá, no momento, eu reagi muito bem e fiquei até “feliz” por ele ter ficado com ela (e não com outra) porque essa amiga com quem ele ficou é uma pessoa maravilhosa e simpatissísima. Ah, mas simpatia não é amor. No dia seguinte eu quis matar ela, quis matar ele, quis matar meu outro amigo que nada tinha a ver com a história, quis matar a mim mesmo, enfim, quase que realizo um genocídio, porque como diz o ditado (e esse sim é muito válido): cabeça vazia é oficina do diabo.

Não sabia que eu era tão imaginativo até chegar neste estágio. Ainda no mesmo dia dos surtos era de tarde, fazia um calor infernal de Febrero e eu estava deitado na cama, remoendo os fatos daquela triste noite (só pra mim, óbvio) e a cena do beijo ficava repetindo na minha cabeça tal qual um assassino cravando a faca no coração da vítima, incessantemente. A partir daí as coisas só ficaram piores, fui imaginando coisas e mais coisas, me senti a pessoa mais excluída, fracassada, sozinha e feia do mundo e parecia que a única solução pra tudo era se matar. Já soube associar isso ao despertar da famosa depressão.

É um descontrole total. Você não pode simplesmente dizer: “não, vou parar de ficar me martirizando, vou levantar dessa cama e viver minha vida pois algo melhor me espera lá na frente”. Pelo contrário, a patologia te leva a pensar justamente o inverso, que não há nada lá na frente, que sua vida não tem sentido e você é um desperdício de espaço e matéria. E eu parto dos meus amores platônicos aos fracassos na universidade, nos meus conflitos com as pessoas, nas minhas crises financeiras – e a coisa se alastra como um câncer dentro da cabeça.

Chego até a sentir a presença de uma entidade maligna, uma sombra – tipo o Dementador do Harry Potter – sugando minhas energias. Juro pra vocês que não estou ficando louco (apesar de tomar remédio pra cabeça) mas eu senti uma coisa me puxando de volta quando eu tentei sair da cama.

Graças a Deus (ou sei lá quem eu posso agradecer, eu mesmo ou o Universo) eu já estou numa etapa mais controlada, fazendo tratamento, e naquela tarde eu consegui levantar da cama, me arrumar, ir e voltar do shopping a pé (que fica um pouco longinho daqui de casa) , pagar minhas contar, viver e ver a vida e o principal: sair da espiral depressiva.

A escolha principal de decidir viver eu fiz ainda na época da tentativa de suicídio que desencadeou isso tudo, há mais ou menos sete meses atrás: decidi iniciar o tratamento. Depois disso, a depressão nunca voltou tão forte como ela vinha naquela época. E espero que não retorne mais. Porque eu sei que o meu cérebro adora me sabotar, me fazer ficar pensando que eu sou uma pessoa sem futuro e um desperdício de vida e recursos, mas isso é uma mentira tão deslavada que chega a ser uma ofensa à minha inteligência sucumbir a tais pensamentos.

E então eu chego à parte boa (e rápida, só pra concluir) desse post. Quero dizer que viajei – poucas vezes, mas viajei – para o sítio com meus amigos, ri, brinquei, nadei, apreciei os corpos dos jovens dourados à luz do sol (esses eram dos amigos -.-“), joguei videogame até o dedo esfolar, comi muito churrasco, dormi demais e reverti meu ciclo de sono umas 500 vezes. Só não peguei ninguém. Mas ainda hei de pegar.

That’s all, folks.


The new year’s eve was so…

A-M-A-Z-I-N-G!

Tudo bem que eu torrei uma grana boa que eu não podia torrar mas prevaleceu a sensação de que valeu a pena. Valeu MUITO a pena. Brindei o início de 2011 com meus amigos num dos lugares mais chics aqui de BH City. Como comentei com minha tia ainda ontem, só de não ter ficado forever alone em casa assistindo o “Show da Virada” já valeu a metade do preço absurdo do ingresso. A música, o lugar, as pessoas, a comida e as BEBIDAS pagaram a outra metade com dignidade.

Se fosse só pelo preço do convite eu retornaria lá em todas as festas de ano novo, mas se você botar na balança as roupas, a arrumação, a mobilização acaba que o preço fica um tanto incoerente… Como dizem nossas sábias tias: quem muito quer acaba ficando na miséria. Seja pela própria ganância ou pela gula e adivinhem, em janeiro estarei pobre! Aliás, eu não estou pobre, eu sou pobre! Mentchyra, eu sou rycah!

Apesar desse dissabor, não estou nem um pouco triste. Confesso que adoro gastar, dinheiro não pode parar um segundo na minha mão que eu caço alguma coisa pra comprar. Entretanto, não faço questão de ser milionário – ganhar na Mega Sena ia ser ótimo, mas veja bem, GANHAR – não sou daquele tipo de pessoa que monta o projeto da vida dela em torno de um salário de quatro dígitos.

Podem me chamar de ingênuo, não ligo. Sou guloso, não ganancioso (a ganância é uma não-qualidade típica de capricornianos, povinho que eu odeio). Óbvio que a gula é tão terrível quanto a ganância, mas ela é mais fácil de conter, no meu ponto de vista. A gula, ao contrário da ganância, você alimenta e ela só te fode prejudica em troca, ela nunca te ilude. Nesse exato momento a tela do meu computador tá aqui me informando que são 06:46 da manhã de domingo e eu passei mais uma madrugada acordado na frente do computador escrevendo um texto completamente torto e incoeso. FODA!

Pra concluir então,  gostaria de agradecer a todos aqueles que lêem e aos que não lêem esse blog, amigos virtuais, meus amigos IRL, minha família, à presidente Dilma (oi?), à Xuxa e ao Universo por ter me ajudado a superar 2010. Não fossem vocês eu não teria o que comemorar nesse reveillon. Foi um ano péssimo, em todos os âmbitos (principalmente o universitário, meu deus)…

Contudo, desd’o finalzinho de 2010 eu senti que eram novos ventos que batiam à minha porta. Percebi nos meus círculos de convivência e mundo afora que as pessoas estão mudando, de uma forma coincidentemente sintonizada às minhas mudanças pessoais, pra melhor.

Se for verdade então isso que sinto, posso afirmar que o que vem pela frente é bom. Tomara que seja mesmo, e que sejamos todas lindas, rycahs (ainda que só espiritualmente) e poderosas em 2011!

Bacio!


I hate the holidays!

Faço das tuas as minhas palavras, GaGa.


O “Desafio” 7 x 7

Ah… tão bom não ter que escavar no mundo do meu cérebro a inspiração para criar um post.. Adorei a idéia de seguir um roteiro. O Júlio do blog “Sem Cortes e Sem Edição” me indicou numa corrente que você tem que dizer 7 coisas a respeito de você  – e depois indicar 7 pessoas pra seguir com a corrente =X. Bem, vamos lá:

07 Coisas para fazer antes de morrer

  • Me formar em alguma coisa e ser bom naquilo que eu faço.
  • Ter fluência em quatro (ou mais) línguas diferentes.
  • Visitar pelo menos uns 50 países diferentes.
  • Me casar (só no sentido figurado da palavra, abomino casamento) com um geminiano – aquarianos e sagitarianos também servem – e viajar pelo mundo ao lado dele.
  • Ter pelo menos 7 tipos de animais de estimação diferentes.
  • Ser magro pelo menos duas vezes na vida.
  • Soprar a velinha do bolo de aniversário de 90 anos.
07 Coisas que mais digo:
  • Aff…
  • Não believo nisso!
  • Ah, falô viu! (peguei esse hábito de uma amiga).
  • YES! * ênfase* (falo isso quando alguma coisa dá errada, tipo meu ônibus passando pelo ponto e eu a uns 100 metros de distância…).
  • Ei lorim vagabundo! (eu, conversando com o papagaio aqui em casa, Loreno)
  • Não, porque […] (Para iniciar uma frase, sempre)
  • Aí, mia fia, ê fô lá e dis … (Tradução: Aí, minha filha, ele foi lá e disse… – sotaque mineiro que come as letras das palavras)
07 Coisas que faço bem:
  • Cozinhar (apesar de ter eterna preguiça)
  • Ler
  • Desenhar
  • Jogar videogame (apesar do meu gosto gamístico ser bem restrito)
  • Dar conselhos sobre profissão/vestibular/prova.
  • Falar sobre signos
  • Reparar nas pessoas falando errado: “brusa (blusa), flauda (frauda), …”
07 Defeitos meus:
  • Eu gosto de morder/apertar/irritar as pessoas
  • Sou extremamente anti-social, passei 1/3 da minha vida na frente de um computador (sofro de um vício desgraçado nessa coisa) e não telefono pra saber como as pessoas estão…
  • Sou meio primitivo naquelas regras de educação básicas, tipo dar bom dia, boa tarde, boa noite…
  • Sou tímido, depressivo, sério, alegre, retardado e extravagante, tudo ao mesmo tempo
  • Sou extremamente desorganizado, meu quarto parece uma gruta.
  • Sou fofoqueiro não-assumido e aumento as coisas nas histórias (inconscientemente, eu juro!)
  • Adoro piadinhas de humor negro e/ou preconceituosas (apesar de lutar contra o preconceito)
07 Qualidades:
  • Quando eu consigo controlar minhas emoções eu sou o mais sangue-frio e calmo o possível (foi assim que passei no vestibular)
  • Quando eu tenho bom senso, eu sou o mais sensato possível
  • Quando eu quero muito (mas muito mesmo) alguma coisa essa coisa nunca escapa das minhas garras
  • Quando eu estou animado eu sou o mais animado de todos
  • Sou PÉSSIMO pra contar mentira, por isso eu nem conto. Sou extremamente cara de pau pra falar a verdade, mesmo quando isso vai me foder e foder todos ao meu redor num raio de 500 km.
  • Quando eu me importo com alguém, essa pessoa pode se sentir privilegiada, porque eu estou me dedicando integralmente na relação que tenho para com ela
  • Quando eu sou amigo de alguém eu tendo a ser o mais fiel possível à essa pessoa, e me abro completamente pra ela
07 Coisas que eu amo:
  • Meus amigos
  • Viajar
  • Comida
  • Cinema e Música (Uh, Lady Gaga!)
  • Ser elogiado
  • Cachorros e Pássaros
  • Ciências Exatas e da Natureza (Matemática, Física, Química, Biologia e Geografia), o resto eu deixo pra parcela chata e menos iluminada da população (esse povo que gosta de história, blergh)
07 pessoas pra continuarem o desafio:
Não faço a menor idéia de pra quem eu indicaria tal “desafio”… Vamos ver…
  1. Well do blog Em Parafuso Horizontal
  2. dentrodoarmário do blog Dentro do Armário (LOL)
  3. Alex Martini do blog Conversas ao Pé do Mundo
  4. Don Diego de la Vega do blog Don Diego (LOL²)
  5. Sex and the City Tupiniquim do blog Em constante construção !!!
  6. Fernando do blog lost und found in translation
  7. Candidato 7 (???)

Como eu conheço pouca gente na blogosfera e pouca gente me conhece, fica aí aberta a corrente para o Candidato 7 se manifestar. Já deixo clara a responsabilidade do indicado em decidir participar da corrente ou não.

Abraços!

P.S.: Adoro a música da novela Se7e pecados: